Publicado por: Mário Matos | 01/03/2009

Stomp

Há sempre qualquer coisa que me incomoda quando vejo um espectáculo que me parece gratuito. Algures durante os meus anos de formação, por entre a turbulência político-ideológica da revolução de 1974 e durante os conturbados tempos que se seguiram, algo me deixou na mente a ideia de que a arte deve ter uma finalidade, uma mensagem. Este pensamento todo vem a propósito do espectáculo dos Stomp, a que assisti há uns dias em Lisboa. Ia com a ideia preconcebida de que… Bem, um espectáculo em que uns tipos batem em tudo o que é objecto, arrancando daí música (ou melhor: ritmo) e vão dançando, seria um desses espectáculos de encher o olho, certamente, mas… E que significado teria? Que interpretação dar àquilo? Ah, pois… O velho receio de embarcar num espectáculo de encher o olho, mas sem conteúdo nenhum. Daquelas coisas pour épater le bourgeois… Às vezes, sinto que ainda há um velho marxista-leninista em estado larvar cá no fundo, que me foi injectado nesses tempos.

Na verdade, o espectáculo é realmente assombroso, não tanto pela originalidade dos «instrumentos» – a ideia já não tem novidade nenhuma -, mas sobretudo pela alegria e pelo humor. E há, de facto, muita reflexão prévia, muito trabalho de pesquisa e de criação, muito esforço. Arte, numa palavra. Que vale a pena ver.

A seguir vêm os Blue Man Group, que têm sido um caso de sucesso mundial. Já estou a reservar bilhete. Tornei-me o bourgeois que quer ser épaté. E a companhia era boa… Que se lixe.

Something always bothers me when I see a show that seems gratuitous. Somewhere along my formative years, amidst the political-ideological turmoil of the 1974 revolution (when I was twelve) and in the rocky times that followed, something left in my mind the idea that art must have a goal, a message. And that it is that message which conveys value and meaning to art, which, otherwise, would be empty and meaningless.

This would take a long reflexion… Suffice it to say for now that all this thinking came about because of the Stomp show, which I went to see a few days ago in Lisbon. I went with the prejudiced conviction that… Well… A show in which a bunch of guys strike all  kinds of objects and make music (or: rhythm) out of it, dancing all along, would cetainly be one of those shows to fill your eyes, not your soul, and without any meaningfull content. One those things pour épater le bourgeouis… Sometimes I feel there is still an old marxist-leninist in a zombie state lurking deep inside me, planted there during those mentioned times of the revolution…

In fact, the show really is amazing, not so much for the originality of the «instruments» – the idea doesn’t have any novelty factor anymore -, but above all because of the joyfullness and humour. There is, in fact, a lot of thinking, a lot of research and creation behind the show; a lot of hardwork. In a word: Art. Which deserves to be seen.

Next, Blue Man Group is coming to the same venue (Casino de Lisboa). A huge success all over the world. I’m getting tickects right now. I’ve become the bourgeouis who wants to be épaté. And I went in good company, so… What the heck.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Categorias

%d bloggers like this: