Publicado por: Mário Matos | 08/05/2009

Miss Californicada

Está tramada, a pobre Miss Califórnia, na sua corrida ao título de Miss América. Pessoalmente, nada me move contra a pobre coitada, aliás razoavelmente bonita, contra quem apenas tenho o facto de ter seios de silicone (pagos pelos patrocinadores). Detesto postiços. Mas isso é um à parte.

O interessante desta história toda é este: a rapariga, Carrie Prejean, respondeu inocentemente a uma pergunta simples: o que acha do casamento de homossexuais? A resposta foi sincera: não concordava, e acreditava que o casamento é entre um homem e uma mulher, e a sua religião a isso a obrigava, etc. Até aqui, nada de especial, quanto a mim: a menina tem o direito óbvio à sua opinião e às suas convicções.

Mas a partir daqui, entornou-se o caldo. Imediatamente a pobre coitada viu-se no meio de uma polémica enorme que tem estado no quotidiano das notícias e dos talk-shows americanos. Atacada —  quanto a mim, de forma um pouco desleal — pelos liberais e pelos movimentos pelos direitos dos LGBT (Lesbian, Gay, Bissexual & Transgender), a pobre tem vindo por aí abaixo aos trambolhões. Agora já circulam na Net fotografias da rapariga em poses menos próprias (pelo menos para os conservadores e os moralistas, mas sobretudo para o júri do concurso, que estabelece como regra que as concorrentes nunca tenham posado ou sido fotografadas nuas ou em modos impróprios).

Tenho de dar razão aos comentadores da direita (Fox News, sobretudo) que se têm insurgido contra os ataques de que a pequena foi alvo, devido à simples e franca resposta a uma simples pergunta — bem, não tão simples assim, mas enfim… Que haveria a pequena de fazer? Mentir para agradar a uns? Ou dizer a verdade, desagradando a outros?

Claro que o problema da direita é que é uma cambada de hipócritas. A primeira hipocrisia é que a Miss Prejean, que se manifestou tão casta nas suas ideias sobre o casamento, não deixou de posar nua a troco de dinheiro. Não parece muito cristão…  Depois, ouvi mais de uma vez comentadoras da Fox a perguntarem onde estavam agora as feministas, e porque não vinham defender a Prejean, como se alguma feminista digna desse nome se fosse dar ao trabalho de defender uma candidata ao duvidoso título de Miss América — concurso que, desde sempre, suscitou a mais viva repugnância por parte dos movimentos feministas…

Para remate disto tudo, é também cómico ver que agora a filha de Sarah Palin, Bristol, anda com o pai a apregoar as virtudes da abstinência sexual até ao casamento. Isto, aparecendo a dita cuja rapariga com o filho recém-nascido nos braços e sem marido… O mais patético é ver o pai da dita menina, apontando para o neto, a falar do «erro» da filha… O erro é o neto dele. Estúpido. Pobre moça, que pais lhe haveriam de calhar… É isto a América dos conservadores. A «verdadeira» América que Palin apregoava. A América dos hipócritas. Que nojo de gente…

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